Fundamentação e Objectivo Geral

1. O Programa Portugal 2020 coloca como meta ao Ensino Superior, "um contrato de confiança para o futuro de Portugal" no qual estabelece uma linha de ação que visa "estimular a empregabilidade, mobilizando empregadores, instituições e jovens para projetar o futuro".

2. Essa abordagem, procura sublinhar a importância de "adequar a oferta formativa às exigências e mutações contínuas dos mercados de trabalho, promovendo o envolvimento de empregadores no planeamento da oferta formativa pelas instituições de ensino superior".

3. A promoção do emprego de jovens diplomados é hoje uma prioridade nacional e europeia, através de várias iniciativas, como a Garantia Jovem, o Impulso Jovem, etc.

4. De facto, o desemprego juvenil nacional atingiu em Maio de 2013 o nível histórico de 42,2% (Eurostat). Há que atuar urgentemente, com acuidade e eficácia para melhor compreender o fenómeno.

5. A Agenda de Lisboa (2000-2012) e Estratégia Europa 2020 reconhecem a importância de desenvolver um conhecimento sólido em todos os domínios da vida económica e social, e de se estimular a produção e a transferência de competências diversas, nomeadamente transversais e/ou eletrónicas, criatividade e flexibilidade, iniciativa e capacidade de gestão de risco e incertezas atuais. Para tal, as instituições do ensino superior (IES) e suas ligações à investigação e inovação, têm um papel crucial na formação de cidadãos qualificados e ativos, potenciando emprego, crescimento económico e desenvolvimento societal.

6. Apesar do aumento de jovens diplomados até ao final dos anos 90 e ao longo da 1ª década do séc. XXI, o caminho percorrido não permite excluir do horizonte desafios ou receios tais como a recessão económica e a crise financeira atuais. Recentes investigações sobre o ensino superior e o mundo do trabalho, têm contribuído para a configuração de novas problemáticas teóricas e para a compreensão dos desafios que pautam as agendas educativas e de emprego da maioria das economias avançadas (Gomes & Vieira, 2011; Marques & Alves, 2010; Marques, 2007; Pedroso et al., 2005; Rocha, Gonçalves & Vieira, 2012; Teichler, 2009; 2007; Vieira, 2012; Vieira, Caires & Coimbra, 2011; Vieira & Coimbra, 2005; 2006; 2008), a saber: - os perigos de (sobre/des)qualificação e menor correspondência dos diplomas aos postos de trabalho/profissões existentes e emergentes; - o aumento do desemprego dos diplomados e a difusão de formas precárias de exercício profissional; - a centralidade na formação de "qualificações-chave" e competências transversais, com elevado potencial de transferência de conhecimento; - a transição do ensino superior para o trabalho e o papel das IES nesse processo; - a relevância do capital humano no crescimento económico;

7. Naquelas temáticas subsiste, porém, um paradoxo que resulta, tanto da ideia do contributo da educação superior em termos individual e coletivo para o sucesso económico e social, como da existência de sinais endémicos de menor correspondência entre educação e emprego, fruto da progressiva abertura, ambiguidade e flexibilidade dos sistemas educativo e económico, e consequente maior visibilidade de desigualdades socioprofissionais (re)produzidas pelas lógicas dos mercados de trabalho (Marques, 2009).

8. Com efeito, a expetativa de se encontrar um trabalhador "competitivo", "empregável", "flexível" e "adaptável", isto é, "competente" assume uma dimensão crítica face à volatilidade dos conhecimentos e competências, e à velocidade com que se transformam e criam novos empregos e profissões, muitos deles ainda por inventar ou designar, quer às profundas exigências que as entidades empregadoras (independentemente do tipo) enfrentam no contexto de globalização dos mercados, competitividade internacional e dos constrangimentos das TIC (Castells, 2003), entre outros.

9. Assim, poder-se-á argumentar que um dos pontos críticos diz respeito à tensão entre a oferta de qualificações/competências por parte dos sistemas educativos, de forma geral, e as necessidades da procura empresarial. Tais ambivalências que se geram no mercado de trabalho exigem que sejam alvo de conhecimento aprofundado dos processos de transferabilidade de qualificações académicas, de competências técnico-científicas e transversais que contribuem para fomentar uma cultura de iniciativa empresarial e de inovação em Portugal.

10. Igualmente, um outro ponto crítico dessa tensão entre oferta e procura de qualificações/competências reside na visibilidade crescente do aumento do desemprego, sobretudo no grupo de jovens abaixo dos 25 anos. Em 2012, o valor era de 39,1%, contra 23,4% da média europeia. Significativo é o facto dessa incidência se registar junto de diplomados que em 2012 representavam 11,9%, quando em 2000 esse valor era de 2,8% (EUROSTAT). Todavia, também significativo é a experiência de subemprego e de precaridade laboral que caracteriza muitos itinerários profissionais do(a)s diplomados. Reforça-se, assim, a tese de que o(a)s jovens enfrentam vulnerabilidades e necessidades específicas neste período de transição, e a sua exclusão do mercado de trabalho pela vivência do desemprego representa um enorme desperdício de potenciais recursos e talentos vitais para o rejuvenescimento da mão-de-obra, crescimento da economia e coesão social e territorial.

11. Assim, a mobilização de conhecimentos e competências pressupõe que os jovens perspetivem os seus "futuros profissionais possíveis" (Marques, 2007) através do aumento da sua empregabilidade que passa pela formulação de estratégias de inserção profissional, pela aprendizagem contínua em áreas afins, e ainda pela reconversão para outras áreas de formação, pelo conhecimento de técnicas de procura de emprego, pela criação do próprio emprego/empresa, nomeadamente pelo empreendorismo, entre outras.

12. Por seu lado, as entidades empregadoras têm todo o interesse em oferecer aos seus trabalhadores condições para desenvolverem novas competências, gerindo os seus RH de forma a adaptá-los às incertezas das economias e sociedades. Estas procuram dos trabalhadores sobretudo competências tranversais, nomeadamente, responsabilidade, iniciativa, polivalência, capacidade de trabalho em grupo, adaptação, reação, entre outros. Assim, do lado da oferta de emprego, o processo de recrutamento e seleção torna-se cada vez mais crucial na definição de perfis de empregabilidade e mecanismos "favoráveis" no acesso ao mercado de trabalho.

13. Portanto, face à complexidade e imprevisibilidade das trajetórias de inserção profissional de diplomados importa considerar o papel das IES em articulação com as entidades empregadoras e associações profissionais, na missão de preparação para o trabalho dos jovens diplomados, de aquisição de conhecimento e competências que lhes permitam conferir maior empregabilidade.

14. Para dar resposta à promoção de maior empregabilidade dos jovens diplomados, um conjunto de IES (as Universidades do Algarve, Católica do Porto e Lisboa, Coimbra, Minho, Portucalense, e os IP de Bragança, Beja, Coimbra, Porto, Tomar, a E.S.E Paula Frassinetti, e IADE) e a Forum Estudante, constituem o consórcio Maior Empregabilidade, já em actividade, tendo como objetivo a realização de estudos, conferências, edição de publicações e outras iniciativas. Esta candidatura apresentada pelo IP Porto em nome do Consórcio, tem assim a força da diversidade institucional, do âmbito nacional e o potencial da disseminação alargada de resultados.

15. No âmbito deste Consórcio, o presente Estudo pretende contribuir para o objetivo de dotar as instituições parceiras de informação relevante para a atuação estratégica que permita potenciar a empregabilidade dos seus estudantes/diplomados e atuar, nomeadamente, ao nível de conteúdos e estruturas curriculares, dos serviços de mediação e apoio à transição para o mercado de trabalho, da projeção de ofertas formativas futuras, entre outros.

Objectivos Específicos

São objetivos específicos deste estudo:

1. Caracterizar o processo de transição do ensino superior para o trabalho, incluindo informações sobre o percurso académico e profissional de recém-diplomados do ensino superior (com licenciatura ou mestrado concluído entre 2008 e 2013);

2. Identificar as competências profissionais (transversais – pessoais, interpessoais e técnicas - e específicas da área de conhecimento) que os diplomados utilizam no exercício da sua atividade profissional;

3. identificar o grau de confiança dos diplomados face à sua capacidade para evidenciar competências profissionais;

4. Avaliar, do ponto de vista dos diplomados, a contribuição do percurso académico para sua preparação ao nível das competências profissionais;

5. identificar o modo como os empregadores avaliam o nível de preparação dos diplomados face às competências profissionais;

6. Identificar – junto de empregadores e diplomados - as competências profissionais consideradas mais importantes no mercado de trabalho dos próximos cinco anos e comparar as duas perspetivas;

7. Identificar os modos através dos quais as IES poderão preparar melhor os seus estudantes e diplomados ao nível das competências profissionais.