Metodologia a Utilizar

1. Revisão da literatura - visa sistematizar as fontes documentais existentes sobre estudos nacionais (regionais/ locais), europeus e internacionais relacionados com a empregabilidade de diplomados das IES, com o foco na investigação e intervenção nesta área. Deste modo, pretende-se sinalizar as principais metodologias e respetivos instrumentos de pesquisa adotados, bem como identificar e sistematizar informação acerca de projetos e/ou modelos de intervenção. Para esta revisão da literatura desenvolver-se-ão as seguintes atividades:

1.1. Elaborar uma grelha de leitura de documentos teóricos e de investigação
1.2. Elaborar uma grelha de leitura de documentos sobre intervenção nas competências de empregabilidade
1.3. Recolher as métricas/instrumentos de avaliação de estudos sobre competências empregabilidade
1.4. Optar por uma grelha conceptual orientadora do estudo e da operacionalização (métricas/instrumentos) com base na revisão da literatura.

2. Abordagem quantitativa - Considerando que os grupos-alvo são os diplomados das IES e entidades empregadoras desta população, a estratégia metodológica deste estudo visa conceber uma leitura cruzada que viabilize a comparabilidade destes dois grupos, designadamente no que concerne a perceção acerca das competências de empregabilidade. Serão desenvolvidas as seguintes atividades:

2.1. Definir o universo, a amostra e as variáveis sociodemográficas para a componente quantitativa do Estudo (empregadores e diplomados entre 2008-2012);
2.2. Conceber a versão final dos instrumentos de recolha de dados
2.3. Construir os questionários na plataforma on-line;
2.4. Recolher os dados 2.4.1. Questionários on-line
2.5. Preparar os dados quantitativos para análise
2.6. Análise dos dados quantitativos Cada IES e associação empresarial, por região, convida à participação no estudo por email, divulgando os links dos questionários on-line e apelando à participação dos seus contatos. A coordenação do estudo faz a avaliação on-going, monitorizando as respostas recebidas na plataforma, avaliando e comunicando às IES quais os setores/regiões/etc. em falta face à amostra prevista (reforço diferencial no reforço dos pedidos de resposta).

3. Abordagem qualitativa (Focus group) – direcionados aos grupos alvo deste estudo, designadamente, diplomados e a entidades empregadoras em cada uma das IE parceiras do Consórcio.

3.1. Pretende-se um aprofundamento das tendências sinalizadas nas fases precedentes centradas na recolha de informação quantitativa sobre competências transversais e sua importância na preparação para o mercado de trabalho. Para isso, serão concebidos guiões de entrevistas com questões comuns a ambos grupos-alvos de modo a permitir o confronto de perspectivas e posições face à temática deste estudo, bem como permitir obter balanços críticos, tendências de transformação e sinalização de dinâmicas participativas e colaborativas por parte de stakeholders relevantes face às transformações em curso e as projetadas. Igualmente, nestes guiões serão incluídas questões mais específicas à IES – através da solicitação direta a cada uma delas de duas a três questões a serem incorporadas no guião geral –, o que constitui, simultaneamente, um espaço de reflexão partilhado interno.
3.2. A coordenação do estudo assegurará a formação prévia dos moderadores e anotadores responsáveis pela realização dos focus group nas respetivas IES de modo a assegurar a homogeneização dos procedimentos, bem como proporá um conjunto de critérios que a serem seguidos na seleção dos participantes para os focus group. 3.3. Para a organização de focus group (diplomado(a)s e empregadores), cada IES participante no Consórcio sinalizará os participantes a integrar os grupos, disponibilizará os contatos, os espaços, entre outros aspetos logísticos, bem como apoiará na condução da realização de duas sessões por cada IES. Serão garantidas condições que permitam a gravação de cada sessão de focus group e sua transcrição. 3.4. Elaborar a grelha de resultados qualitativos
3.5. Transcrever os focus groups e preencher a grelha de resultados qualitativos
3.6. Análise dos dados qualitativos

4. Levantamento das práticas atuais de promoção de competências nas IES do Consórcio – Para registo e partilha de boas práticas, será feito este levantamento, através das seguintes atividades:

4.1. Elaborar a grelha de relatos de experiências
4.2. Preencher a grelha de relatos de experiências
4.3. Analisar e publicar os resultados.

5. A coordenação do Estudo será assegurada pela Profª Doutora Diana Aguiar Vieira (Pró-Presidente do Instituto Politécnico do Porto para a Empregabilidade e Relações com Alumni e investigadora doutorada integrada do Centro de Psicologia da Universidade do Porto) e pela Profª Doutora Ana Paula Marques (professor Associada, com Agregação do Departamento de Sociologia da Universidade do Minho (UM), Investigadora do Centro de Investigação de Ciências Sociais da UM - CICS/UM - e investigadora associada do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa - CIES-IUL)

6. O desenvolvimento do Estudo está sujeito ao escrutínio do conselho científico do consórcio, presidido pelo Profº Doutor Roberto Carneiro e que inclui representantes de todas as instituições. Ainda, a consultoria científica do presente projeto será assegurada pelo Profº Doutor Roberto Carneiro (Professor Associado da Faculdade de
Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa; Presidente do Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa e do Instituto de Ensino e Formação a Distância; foi Diretor-Geral e Diretor de Serviços do Ministério da Educação (1973-1979), e Adjunto do Ministro dos Negócios Estrangeiros do IV Governo (1978); exerceu, nível internacional, funções como examinador, perito ou consultor de organizações como a UNESCO, o Banco Mundial, a OCDE ou o Conselho da Europa, em domínios como a educação e política educativa, cooperação para o desenvolvimento, governação e administração pública. Foi ainda Diretor da Revista Colóquio/ Educação e Sociedade (1977-1999) e do Bureau de Reflexão em Educação/Formação (1995- 1998) da Comissão Europeia).

7. Para o desenvolvimento do trabalho de campo, está assegurado o apoio das equipas dos Gabinetes de Empregabilidade das instituições membros do consórcio, que agilizarão a aplicação das várias ferramentas metodológicas propostas. Como ações anteriormente desenvolvidas que evidenciam a capacidade demonstrada na realização de ações equivalentes no passado, quer as coordenadoras do Estudo, quer as instituições do consórcio têm uma larga experiência, da qual se destaca: o projeto "O potencial empreendedorismo na Universidade do Minho. Carreiras após o ensino superior"; MeINTEGRA – Mercados e Estratégias de Inserção profissional de jovens licenciados"; "Estudo prospectivo sobre o Emprego e Formação na Administração Local"; mentoria científica do Spin-Off Laboratório MeIntegra, ICS - Universidade do Minho; integração, do lado do Norte de Portugal, dos Serviços de Estudos "Educação e Formação" do Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular Galiza-Norte de Portugal. Entre vários artigos e livros, refira-se Vieira, D.A. (2012). Transição do ensino superior para o trabalho: O poder da autoeficácia e dos objetivos profissionais. Porto: Politema, Fundação Politécnico do Porto e Marques, A.P.& Alves, M.G. (Eds.) (2010), Inserção Profissional de Graduados em Portugal. (Re)configurações Teóricas e Empíricas, Vila Nova de Famalicão: Editora Humus.

8. Para o desenvolvimento da metodologia proposta, reforça-se a relevância da parceria anteriormente referida, constituída pelas IES aderentes e pela Forum Estudante, bem como a parceria a estabelecer com outras instituições com acesso privilegiado ao universo dos responsáveis pela gestão de RH, como por exemplo a APG – Associação Portuguesa de Gestão de Pessoas, realidades que permitirão o acesso a fontes de informação de alto valor acrescentado.

Produtos e Resultados Esperados

1. Elaboração e publicação de um relatório final com os resultados do Estudo, com edição em livro e em formato digital, disponível a todos os interessados.

2. Realização de uma Conferência Nacional para apresentação e discussão dos resultados do Estudo, em parceria com os membros do Consórcio, com instituições públicas e privadas vocacionadas para as questões de educação e emprego e com empresas.

3. Realização de sessões regionais de apresentação do estudo, desde logo no contexto de cada instituição membro do consórcio.

4. Realização de um documentário em vídeo com testemunhos e dados, que sintetizem as principais conclusões do Estudo.

5. Desenvolvimento de um sítio internet do Estudo, com disponibilização dos vários materiais produzidos nas diferentes etapas do projeto e ligações para outros sítios de interesse.

6. Consolidação de uma rede de partilha de conhecimentos e de práticas relacionadas com a empregabilidade de diplomado(a)s entre as treze instituições de ensino superior
envolvidas no Consórcio, com a possibilidade de alargamento futuro a outras instituições.

7. Possibilidade de desenvolvimento de parcerias de instituições de ensino superior para a promoção de maior empregabilidade através da intervenção mais reforçada dos Gabinetes de empregabilidade/saídas profissionais, do desenho e aplicação de ações de formação ou de outro tipo de intervenções que colmatem as falhas detetadas em termos de competências transversais e da ligação mais forte aos mercados de trabalho.

 

Estudo publicado

Fundamentação e Objectivo Geral

1. O Programa Portugal 2020 coloca como meta ao Ensino Superior, "um contrato de confiança para o futuro de Portugal" no qual estabelece uma linha de ação que visa "estimular a empregabilidade, mobilizando empregadores, instituições e jovens para projetar o futuro".

2. Essa abordagem, procura sublinhar a importância de "adequar a oferta formativa às exigências e mutações contínuas dos mercados de trabalho, promovendo o envolvimento de empregadores no planeamento da oferta formativa pelas instituições de ensino superior".

3. A promoção do emprego de jovens diplomados é hoje uma prioridade nacional e europeia, através de várias iniciativas, como a Garantia Jovem, o Impulso Jovem, etc.

4. De facto, o desemprego juvenil nacional atingiu em Maio de 2013 o nível histórico de 42,2% (Eurostat). Há que atuar urgentemente, com acuidade e eficácia para melhor compreender o fenómeno.

5. A Agenda de Lisboa (2000-2012) e Estratégia Europa 2020 reconhecem a importância de desenvolver um conhecimento sólido em todos os domínios da vida económica e social, e de se estimular a produção e a transferência de competências diversas, nomeadamente transversais e/ou eletrónicas, criatividade e flexibilidade, iniciativa e capacidade de gestão de risco e incertezas atuais. Para tal, as instituições do ensino superior (IES) e suas ligações à investigação e inovação, têm um papel crucial na formação de cidadãos qualificados e ativos, potenciando emprego, crescimento económico e desenvolvimento societal.

6. Apesar do aumento de jovens diplomados até ao final dos anos 90 e ao longo da 1ª década do séc. XXI, o caminho percorrido não permite excluir do horizonte desafios ou receios tais como a recessão económica e a crise financeira atuais. Recentes investigações sobre o ensino superior e o mundo do trabalho, têm contribuído para a configuração de novas problemáticas teóricas e para a compreensão dos desafios que pautam as agendas educativas e de emprego da maioria das economias avançadas (Gomes & Vieira, 2011; Marques & Alves, 2010; Marques, 2007; Pedroso et al., 2005; Rocha, Gonçalves & Vieira, 2012; Teichler, 2009; 2007; Vieira, 2012; Vieira, Caires & Coimbra, 2011; Vieira & Coimbra, 2005; 2006; 2008), a saber: - os perigos de (sobre/des)qualificação e menor correspondência dos diplomas aos postos de trabalho/profissões existentes e emergentes; - o aumento do desemprego dos diplomados e a difusão de formas precárias de exercício profissional; - a centralidade na formação de "qualificações-chave" e competências transversais, com elevado potencial de transferência de conhecimento; - a transição do ensino superior para o trabalho e o papel das IES nesse processo; - a relevância do capital humano no crescimento económico;

7. Naquelas temáticas subsiste, porém, um paradoxo que resulta, tanto da ideia do contributo da educação superior em termos individual e coletivo para o sucesso económico e social, como da existência de sinais endémicos de menor correspondência entre educação e emprego, fruto da progressiva abertura, ambiguidade e flexibilidade dos sistemas educativo e económico, e consequente maior visibilidade de desigualdades socioprofissionais (re)produzidas pelas lógicas dos mercados de trabalho (Marques, 2009).

8. Com efeito, a expetativa de se encontrar um trabalhador "competitivo", "empregável", "flexível" e "adaptável", isto é, "competente" assume uma dimensão crítica face à volatilidade dos conhecimentos e competências, e à velocidade com que se transformam e criam novos empregos e profissões, muitos deles ainda por inventar ou designar, quer às profundas exigências que as entidades empregadoras (independentemente do tipo) enfrentam no contexto de globalização dos mercados, competitividade internacional e dos constrangimentos das TIC (Castells, 2003), entre outros.

9. Assim, poder-se-á argumentar que um dos pontos críticos diz respeito à tensão entre a oferta de qualificações/competências por parte dos sistemas educativos, de forma geral, e as necessidades da procura empresarial. Tais ambivalências que se geram no mercado de trabalho exigem que sejam alvo de conhecimento aprofundado dos processos de transferabilidade de qualificações académicas, de competências técnico-científicas e transversais que contribuem para fomentar uma cultura de iniciativa empresarial e de inovação em Portugal.

10. Igualmente, um outro ponto crítico dessa tensão entre oferta e procura de qualificações/competências reside na visibilidade crescente do aumento do desemprego, sobretudo no grupo de jovens abaixo dos 25 anos. Em 2012, o valor era de 39,1%, contra 23,4% da média europeia. Significativo é o facto dessa incidência se registar junto de diplomados que em 2012 representavam 11,9%, quando em 2000 esse valor era de 2,8% (EUROSTAT). Todavia, também significativo é a experiência de subemprego e de precaridade laboral que caracteriza muitos itinerários profissionais do(a)s diplomados. Reforça-se, assim, a tese de que o(a)s jovens enfrentam vulnerabilidades e necessidades específicas neste período de transição, e a sua exclusão do mercado de trabalho pela vivência do desemprego representa um enorme desperdício de potenciais recursos e talentos vitais para o rejuvenescimento da mão-de-obra, crescimento da economia e coesão social e territorial.

11. Assim, a mobilização de conhecimentos e competências pressupõe que os jovens perspetivem os seus "futuros profissionais possíveis" (Marques, 2007) através do aumento da sua empregabilidade que passa pela formulação de estratégias de inserção profissional, pela aprendizagem contínua em áreas afins, e ainda pela reconversão para outras áreas de formação, pelo conhecimento de técnicas de procura de emprego, pela criação do próprio emprego/empresa, nomeadamente pelo empreendorismo, entre outras.

12. Por seu lado, as entidades empregadoras têm todo o interesse em oferecer aos seus trabalhadores condições para desenvolverem novas competências, gerindo os seus RH de forma a adaptá-los às incertezas das economias e sociedades. Estas procuram dos trabalhadores sobretudo competências tranversais, nomeadamente, responsabilidade, iniciativa, polivalência, capacidade de trabalho em grupo, adaptação, reação, entre outros. Assim, do lado da oferta de emprego, o processo de recrutamento e seleção torna-se cada vez mais crucial na definição de perfis de empregabilidade e mecanismos "favoráveis" no acesso ao mercado de trabalho.

13. Portanto, face à complexidade e imprevisibilidade das trajetórias de inserção profissional de diplomados importa considerar o papel das IES em articulação com as entidades empregadoras e associações profissionais, na missão de preparação para o trabalho dos jovens diplomados, de aquisição de conhecimento e competências que lhes permitam conferir maior empregabilidade.

14. Para dar resposta à promoção de maior empregabilidade dos jovens diplomados, um conjunto de IES (as Universidades do Algarve, Católica do Porto e Lisboa, Coimbra, Minho, Portucalense, e os IP de Bragança, Beja, Coimbra, Porto, Tomar, a E.S.E Paula Frassinetti, e IADE) e a Forum Estudante, constituem o consórcio Maior Empregabilidade, já em actividade, tendo como objetivo a realização de estudos, conferências, edição de publicações e outras iniciativas. Esta candidatura apresentada pelo IP Porto em nome do Consórcio, tem assim a força da diversidade institucional, do âmbito nacional e o potencial da disseminação alargada de resultados.

15. No âmbito deste Consórcio, o presente Estudo pretende contribuir para o objetivo de dotar as instituições parceiras de informação relevante para a atuação estratégica que permita potenciar a empregabilidade dos seus estudantes/diplomados e atuar, nomeadamente, ao nível de conteúdos e estruturas curriculares, dos serviços de mediação e apoio à transição para o mercado de trabalho, da projeção de ofertas formativas futuras, entre outros.

Objectivos Específicos

São objetivos específicos deste estudo:

1. Caracterizar o processo de transição do ensino superior para o trabalho, incluindo informações sobre o percurso académico e profissional de recém-diplomados do ensino superior (com licenciatura ou mestrado concluído entre 2008 e 2013);

2. Identificar as competências profissionais (transversais – pessoais, interpessoais e técnicas - e específicas da área de conhecimento) que os diplomados utilizam no exercício da sua atividade profissional;

3. identificar o grau de confiança dos diplomados face à sua capacidade para evidenciar competências profissionais;

4. Avaliar, do ponto de vista dos diplomados, a contribuição do percurso académico para sua preparação ao nível das competências profissionais;

5. identificar o modo como os empregadores avaliam o nível de preparação dos diplomados face às competências profissionais;

6. Identificar – junto de empregadores e diplomados - as competências profissionais consideradas mais importantes no mercado de trabalho dos próximos cinco anos e comparar as duas perspetivas;

7. Identificar os modos através dos quais as IES poderão preparar melhor os seus estudantes e diplomados ao nível das competências profissionais.